domingo, maio 17, 2009

BRANCOS - ÍNDIOS - NEGROS



BRANCOS DO NOVO MUNDO

Nas formas de vida coletiva, podemos assinalar dois princípios que regulam as atividades dos homens: a do aventureiro e a do trabalhador. O trabalhador é aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, e não simplesmente, o triunfo a alcançar. É adepto do esforço lento e persistente, que mede todas as possibilidades do desperdício e sabe tirar proveito do insignificante. Seu campo visual é naturalmente restrito. O aventureiro se comporta de maneira diversa, suas qualidades são audácia, imprevidência, irresponsabilidade, ócio e instabilidade. O seu objetivo primordial é a recompensa imediata. Dispensa, como secundário, todos os processos e esforços intermediários. Ele despreza o que não tem perspectivas de rápido proveito pessoal. Ou seja, seu ideal será colher o fruto, sem plantar a árvore.

Na obra de conquista e colonização dos povos do novo mundo, notadamente na América Latina, coube ao tipo trabalhador papel muito limitado, quase nulo. O que prevaleceu, aqui, foi o tipo psicológico do aventureiro, em busca de fortuna rápida e fácil. Entretanto, depois de séculos de adaptações e sofrimentos, são esses imigrantes brancos que aqui se fixaram e se confraternizaram com as raças nativas, que se predispuseram a abraçar os ideais necessários à formação da Sexta Raça Raiz. Esta confraternização não é requerida, essencialmente, através do cruzamento étnico, acima de tudo, é psicológica, onde as barreiras da ilusão da separatividade foram, ou estão sendo, paulatinamente vencidas, conforme a resistência e o nível evolutivo de cada um.


ÍNDIOS

O povoamento da América iniciou-se no período glaciário, época em que a Terra foi tomada por grandes massas de gelo. Nesse período houve imigração de raças neolíticas na América, correspondentes à idade da pedra-polida, quando as raças brancas, que viviam na Europa, estavam em plena idade paleolítica, da pedra lascada. Em conseqüência, as raças amarelas que aportaram nas Américas, vindas da Ásia, eram mais adiantadas do que as raças brancas da Europa. As três raças básicas da humanidade se misturaram no continente americano: a negra, a branca e a amarela, sendo que esta última aportou na América do Sul.

Existem abundantes provas de que os japoneses naufragaram no novo continente, mesclando seu sangue com as populações costeiras da América. Os aborígines da Oceania, ou seja, os descendentes dos rutas, também chegaram ao continente americano. Tais elementos étnicos contribuíram para constituir as populações americanas, e uma vez misturadas, através das migrações e das lutas, deram nascimento às populações indígenas, naturais da América.

A pretensão de agrupar a população indígena da América do Norte numa única raça particular, os peles-vermelhas, há muito perdeu o fundamento, pois os aborígines americanos são mistos, compostos de vários elementos étnicos diferentes. As raças mistas da América são distribuídas geograficamente pelas três Américas: Setentrional, Central e Meridional.

As raças da América Setentrional são representadas pelos seguintes grupos:
1- Atabascanos, os quais compreendem os chapaios (chippeyas) e os apaches.
2- Puebloanos, com índios pueblos, do Novo-México, os comanches e os moquis.
3- Oréganos.
4- Californianos.
5- Mississipianos, com tribos choctaus (chaktahs), criques (creeks) e os seminoles.
6- Missourianos, com os índios paonis (pawnees), sioux, dakotahs, osages e os iowas.
7- Pensilvanianos, com tribos algonquis, abenaquis, ienapes e delawaris.
8- Canadenses, com tribos iroqueses, huronianos e cheroquis (cherokeee).
9- Mexicanos, com índios zapotecas, otomis, chichemecas e os astecas.


Os chapaios e os apaches, pertencentes à família atabascana, e os chinuques, da família oregonana, habitavam o norte da Califórnia, entre o Pacífico e as Montanhas Rochosas. Tinham a pele menos acobreada dos que os índios peles-vermelhas, eram de menor porte e rosto largo. Os chinuques tinham o costume de deformar a cabeça desde a infância.

Os puebloanos, incluindo os comanches e os moquis, viviam nos confins do Texas, entre os sioux e os mexicanos.

A família californiana apresentava caracteres das raças negras, amarela e branca: a pele é castanho bem escuro, os malares salientes, lábios grossos, olhos profundos, cabelos longos, lisos, grossos e escuros. Atualmente é uma raça das mais misturadas, sendo que a influência européia foi equilibrada.

A família mississipiana: chactas, criques e seminoles ocupavam o território incluído entre os comanches e o oceano Atlântico. Algumas tribos habitavam os limites do Arkansas, enquanto os seminoles viviam na Flórida.





Foto: mulher sioux

Os costumes desses povos, que foram desaparecendo quase totalmente, à medida que eram expulsos pelos brancos invasores, ficaram relegados ao reduzido território indígena, demarcado pelos novos donos do continente americano. Cabe-nos ressaltar, que os indígenas norte-americanos sempre se revelaram bastante inteligentes, porém eram também igualmente indolentes.

As famílias mexicana e guatemalteca, como indicam seus nomes, ocuparam o México e a Guatemala. Eram considerados mestiços de grupos vindos da Califórnia e da América Central, respectivamente. A família mexicana compreende os zapotecas, chichemecas, astecas e os otomis, estes últimos considerados um dos mais antigos povos da América.

Os astecas são uma das populações mais conhecidas, pois criaram uma esplêndida civilização, deixando no México tantas provas do seu engenho, alem da construção da cidade deste nome. Os astecas eram seres pequenos e deformavam a cabeça, como os chinuques, mas sem dúvida eram povos inteligentes. Oriundos do noroeste, o povo asteca iniciou a sua formação, fixando-se em pequenas ilhas do lago Texoco.


Os mexicanos são uma raça mista, onde o sangue europeu interveio, principalmente depois da chegada dos conquistadores espanhóis. Até bem pouco tempo atrás, ainda se encontrava algumas populações selvagens. Entre as tribos mexicanas destacaram-se, principalmente as seguintes tribos:
- Olmecas, a aproximadamente VIII AC, estabelecidos ao lado do golfo do México.
- Tarascas, na costa do Pacífico, mais a oeste.
- Teotihuacan, no planalto central mexicano.
- Zapotecas, do monte Alban.
- Mixtecas, que sucederam os zapotecas no monte Alban.
- Huaxtecas, que viviam ao norte do golfo do México.
- Totonacas, do centro do golfo do México, correspondendo ao estado de Vera Cruz.
- Maias e astecas, já descritos.



( Monte Alban)

Na América do Sul, os aborígines também se mostraram como raças mistas, misturando-se em numerosas famílias:
1- Família peruana - aimarás, quíchuas, incas e araucans.
2- Família pampeana - charruas e puelches.
3- Família chiqueteana - chiquitos.
4- Família patagoniana - tehulches ou patagões, fuengianos e iacãos.
5- Família antisiana - iuracares e bolivianos.
6- Família guarani - lengoas, caraíbas, botocudos, coroados, tupi.

1-Família peruana _ aimarás, quíchuas, incas e auracans. O povo peruano é formado pelas populações indígenas que tiveram no passado sua época de gloriosa civilização. Há representantes da família peruana em todo o Peru, Bolívia e no Chile

Os incas eram adoradores do Sol, fonte de toda a vida, acima do qual reconheciam um Deus, invisível criador de tudo que existe e que os eles denominavam Pachacamac. Os incas formaram uma esplêndida civilização.


Os quíchuas (quéchuas) representam o povo aborígene americano, de raça andina que ajudou a fundar nos altiplanos do Peru e da Bolívia, o império dos incas. Atualmente, os quíchuas perderam a antiga proeminência, conservando-se como simples agricultores e pastores, vivendo em condições quase de miserabilidade.

Os aimarás viviam no alto Peru, representavam velhos índios, antigos habitantes das planícies quentes que costeiam as praias peruanas do Pacífico. Também atingiram alto grau de progresso e cultura, ajudando no nascimento do grande império incaico. Também adoravam o Sol, ao qual dedicavam templos. Obrigados a submeterem-se aos numerosos quíchuas, mais tarde se renderam sem lutas, aos invasores espanhóis e passaram a cultuar o cristianismo, mas conservando determinados ritos da antiga religião, como dançar à frente das procissões.

Os araucans viviam, antes da invasão espanhola, em Araucânia, região do Chile médio, entre os Andes e o oceano Pacífico. Mais tarde submeteram-se ao governo do Chile, dividindo-se em quatro províncias.


2-Família pampeana - charruas e puelches. Os charruas (*) eram aborígenes da América do Sul que preferiram morrer à se submeterem aos europeus. Alguns exemplares muito misturados, ainda habitam o leste do Uruguai. Os puelches e os charruas reuniram-se na família pampeana, habitando entre o estreito de Magalhães e as colinas de Chiquitos, tendo a leste o Paraguai e a oeste os Andes.
(*) O grito de guerra dos charruas, que se deixaram matar em defesa de seus valores era: “Coive ogu ereco iara!” Ou seja: Esta terra tem dono!

3- Família chiqueteana. Os chiquitos eram aborígines sul-americanos, que ocupavam um território entre colinas situadas na parte setentrional do curso do rio Guaporé, ao norte; o rio Paraguai, ao leste; a planície do Chaco, ao sul; e as florestas que iam até o Rio Grande, ao oeste. Eram alegres, dóceis e hospitaleiros.

4 - Família patagoniana - tehulches ou patagões, fuengianos e iacãos. Os fuengianos constituíam populações miseráveis. Os patagões (tehulches) habitavam no sul da Argentina, desde o rio negro e o estreito de Magalhães. Os iacãos viviam no território argentino da terra do Fogo, na cadeia montanhosa que vai de Sarmiento ao monte Darwin.


(Patagonia)

5 - Família antisiana - iuracares e bolivianos. Os iuracares e os guaraios, integrantes da família antisiana, ficavam espalhadas nas regiões quentes e úmidas da vertente oriental dos Andes bolivianos e peruanos, desde seus verdadeiros contrafortes, perto de Santa Cruz de La Sierra. Os bolivianos foram os habitantes das altas planícies da Bolívia. Atualmente a Bolívia não é muito povoada e seus habitantes são formados por índios e mestiços cholos, além de negros e mulatos. Os brancos são minoria. Praticam a religião católica

6 - Família guarani - lengoas, caraíbas, botocudos, coroados, tupis. Os lengoas (lenguas) eram selvagens sul-americanos, que viviam entre o Paraguai e a Bolívia. Os caribes (caraíbas) são aborígines que habitavam todas as ilhas chamadas pequenas Antilhas. Eram temidos pelo seu instinto guerreiro e sua crueldade. Não possuíam templos, nem cerimônias religiosas.

A família Guarani (*), repartia-se desde o Paraguai, as Guianas e as Antilhas. Eram naturalmente sinceros e afáveis, entretanto, era costume de numerosas tribos devorarem seus prisioneiros, para, conforme suas crenças, adquirirem as qualidades dos seus inimigos.


(*) Conta uma lenda indígena que, quando os brancos predadores chegaram no território guarani os pássaros praticamente sumiram, e os índios não tinham mais penas para colocarem em suas flechas. Os índios não podiam mais caçar, devido às suas flechas saíam sem rumo certo de seus arcos. Um pajé rogou à Tupã que os ajudasse. O deus se compadeceu daquele povo e transformou um guerreiro guarani em um belo e grande pássaro colorido. E desse pássaro majestoso, os índios começaram a pegar as penas, que ele soltava pelo chão, enquanto voava pelas alturas. Daquele dia em diante, nunca mais faltaram penas para as flechas, e os índios voltaram a ter sua pontaria certeira. Segundo a lenda foi assim que nasceu Narube, a multicolorida e majestosa Arara.



NEGROS DO BRASIL

A penetração da raça negra no Brasil, como já sabemos, não nos traz boas lembranças, pois esta se deu através da escravidão e esses fatos sempre trazem amargas lembranças para uns e muita vergonha para outros. Entretanto, a subjugação dos negros iniciou-se bem antes de eles chegarem ao Brasil, começou na própria África, pois os maiores escravistas foram os próprios reis africanos.

Com o início da expansão colonial lusitana pela costa norte da África, os portugueses passaram a realizar o comércio de especiarias e negros escravos. Continuando suas expedições expansionistas, os portugueses chegaram ao Brasil. Com a implantação da primeira capital colonial nas terras brasileiras, Salvador, vieram os brancos, cristãos novos (judeus convertidos), dissidentes políticos e religiosos, e também um enorme contingente de escravos negros.

Desafortunadamente, formaram-se centenas de campos de repercussão mental de tristeza, de abandono, de ódio, de desespero e de desejo de vingança, que se disseminaram na nova terra. Junto a esta carga energética de baixo padrão mental, vieram também a magia negra e a feitiçaria. Assim, por ocasião da escravidão nas Américas, junto aos cativos, vieram antigos feiticeiros, que trouxeram consigo seus conhecimentos e seus poderes.


Na África, o feiticeiro passa por uma iniciação dos mistérios da vida e da morte, adquirindo poder de curar ou induzir doenças. Na verdade, eles aprendem a lidar com a energia. Assim como qualquer pessoa, mas em maior escala, eles empregam ou canalizam a energia pelo poder da mente e da ação volitiva, para fins benignos ou malignos, conforme a exigência do momento. Precisamos considerar, contudo, as condições desesperadas em que viviam os escravos, sem nenhuma arma para se defenderem de seus dominadores. Talvez se tivessem sido tratados como seres humanos, a situação energética dos negros, naquela época, pudesse ter sido diferente e a proliferação da magia ou da feitiçaria, não tivesse avançado tanto. Os brancos foram responsáveis pela escravidão de outros seres humanos, trazidos à força para servi-los, de onde tiraram proveito comercial. Mas, paralelamente, adquiriram o carma de também serem alvo da parte negativa dos povos escravizados, entre eles, o feitiço.


No século XVII, a produção e consumo de açúcar ganha gigantesco impulso. Para sustentar essa explosão, foi necessário mão de obra barata e a solução foi traficar mais escravos. O Brasil foi um exemplo negativo para todas as Américas, de como praticar a escravidão com sucesso, enriquecendo a burguesia. Recebia em sua região litorânea do Recife, Rio de Janeiro e Salvador, os navios negreiros carregados de africanos, para serem vendidos como objetos e animais.

O senhor europeu, nesse tempo, demonstrava total falta de sentimento e emoção, a ponto de vender seus próprios filhos, nascidos de negras, como escravos. O interessante é que esse sentimento de afeto paterno, já era bastante marcante, tanto no indígena, quanto no negro. Outro fato bastante interessante era a participação da Igreja na sustentação do sistema escravista negro. A explicação dada pela Igreja era que o negro era descendente de Cã, filho de Noé, que era um amaldiçoado. Assim, o negro, para resgatar seus pecados e alcançar o reino dos céus, precisava passar pelo cativeiro. Em vista dessa conivência religiosa com o regime escravocrata, os representantes eclesiásticos arrumaram uma maneira de acalmarem suas consciências.

Por ter estado entre os primeiros da lista dos países escravocratas, o Brasil igualmente conquistou um dos primeiros lugares nas revoltas dos escravos. Pois, quanto à formação de quilombos, proporcionalmente, o Haiti foi o único país a superar o Brasil.



O Espírito do homem precisa de muito tempo para adaptar-se aos limites do rebaixamento dos seus corpos densos. A liberdade na forma de energia livre é o objetivo final buscado pelo Espírito imortal, que trabalha pela sua evolução. Assim, a ânsia pela liberdade, é inerente à todas as criações e todos os seres do universo. Então, a raça negra reage contra os limites expostos pelo cativeiro, imposto pelo homem branco, e luta pela sua liberdade. Centenas de quilombos se espalham pelo território brasileiro. Mas cedo vem a reação dos escravocratas, que criam tropas formadas por bandeirantes e nativos, com o fim de enfrentar e combater a quilombagem. Entretanto, após longo período de fugas e derramamentos de sangue, surgem os movimentos para extinção do regime escravista. Mesmo, com a resistência dos donos de engenho, por fim, vem a Lei Áurea, de libertação dos escravos. Infelizmente, porém, nos dias de hoje as nações ainda conservam alguns traços do regime escravista de outrora, numa forma de racismo não declarado e de direitos desiguais dos meios de sobrevivência.

Os primeiros africanos que formaram a população negra brasileira, pertenciam à dois grandes grupos: os bantos, trazidos de Angola e os achantis, trazidos da Costa do Ouro, na Guiné ou Nigéria, na região de Benin.

O habitante da Guiné é o tipo que mais representa a raça negra da África. A Guiné tem ao norte o rio Senegal e ao sul, o Zambese, na África Ocidental. Dividiam-se em fantis, yolofes, achantis, bakantes, Iebos e os malikes. Os achantis eram dominados por um rei autocrático e tirano. Viviam na Costa do Ouro, na África Ocidental. O rei deveria possuir 3333 mulheres. Este número de esposas não poderia ser mais nem menos. Eram fetichistas e tinham o costume de sacrificar escravos em louvor a seus deuses, mais tarde esses sacrifícios humanos foram substituídos pelo de animais. Os gaboneses eram vaidosos e irascíveis; suas mulheres eram muito bonitas, e se enfeitavam com vistosos tecidos, colares de pérolas, anéis e jóias de cobre.

A influência desses negros na formação cultural do povo brasileiro (e de boa parte da América) foi imensa. Pois, apesar de terem chegado ao Brasil por caminhos adversos e de forma involuntária, suas contribuições nos campos econômico, religioso e das artes, tiveram um papel bastante decisivo na construção da raça brasileira. O sincretismo religioso, o desenvolvimento das regiões litorâneas, devido à mão de obra escrava nos engenhos de açúcar e café, o conhecimento da agricultura e do extrativismo mineral, garantiram a prosperidade que se fez presente em várias regiões do Brasil. Dentro da arte, os negros trouxeram a pintura, o artesanato e a música afro, que persistem até os dias atuais, como se estivessem impressas no sangue da raça brasileira em formação. É de grande destaque também a contribuição negra dentro da gastronomia que enriquece a mesa do povo brasileiro. Daí vem o gosto pelos sabores picantes e quentes, que predominam na região baiana.


Transmitindo a beleza da vida dos humildes e a capacidade do negro de amar seus irmãos de raça, a poesia negra vence todos os obstáculos, impostos por uma civilização marcada pelo preconceito racial, na sua luta pela liberdade do corpo, do pensamento e do espírito. Os versos negros criaram asas, ignoraram limites territoriais, os açoites e o tilintar das correntes, e se estenderam pelo mundo, combatendo as injustiças e os preconceitos, com o objetivo de estabelecer as verdades essenciais, e afirmando sua mensagem de fraternidade entre os homens, de todas as raças do mundo, sonho dourado da raça brasileira e mensagem do Cristo, expressa no Evangelho.



ÍNDIOS DO BRASIL

Os botocudos, também chamados aimorés, são índios típicos do Brasil. Da mesma família guarani, também tinham o mesmo hábito antropófago. Os coroados também são índios brasileiros, descendentes dos primeiros aborígines do Brasil.

A língua guarani era usada em toda a extensão das antigas províncias do Paraguai e na costa do Brasil, abaixo de São Vicente, Paraná e Santa Catarina. Mais tarde, com o passar do tempo, o guarani veio a ser falado no Mato-Grosso, Correntes e Missiones; Chaco e Formosa; Bolívia, particularmente em Santa Cruz de La Sierra.
Os tupis formam importante família sul-americana, espalhada entre a costa do oceano Atlântico e a cordilheira dos Andes, desde o Amazonas até o Prata, embora agrupados ao longo das praias costeiras, tais como: os iurunas, do Brasil central; os mundurucus e os omáguas, dos limites do Amazonas; os chiriguanos, da parte oriental dos Andes.

As tribos brasileiras da família tupi eram: tupinaés, tupinambás e tupiniquins. O tupi também representa a família de línguas faladas por estas raças indígenas da América do Sul. Com a chegada dos jesuítas, combinaram o tupi com o guarani, e constituíram a língua geral: tupi-guarani, empregada comumente em todo o território ocupado pelas tribos do dialeto tupi.

No Brasil, a exploração litorânea, praticada pelos portugueses, encontrou maior facilidade em decorrência de a costa se achar habitada por uma única família de indígenas, que de norte a sul falavam o mesmo idioma: o tupi-guarani. É esse idioma prontamente apreendido pelos jesuítas, servindo de intercurso com os demais povos indígenas do país.

Há 17 mil anos o Brasil já era povoado pelos chamados Filhos da Terra. Os pesquisadores já conseguiram encontrar provas concretas destas populações, que existiam nas imediações do litoral do Amazonas. Assim como, pelo menos há 5 mil anos, pelo Amazonas, infiltraram-se outros povos vindos pelo noroeste.

Os tupis saíram da Amazônia, dirigiram-se para o vale do Mamoré, há seis milênios atrás. Baseados na crença de que à leste havia um lugar chamado Terra Sem Males, no ano 500 AC, nova levas de tupis partiram em longa migração. Um ramo desce o rio Madeira e localiza-se na Amazônia. Outras tribos tupis subiram o rio Ji-paraná, atravessaram a bacia do rio Prata, chegam ao litoral e são os pioneiros no enfrentamento da colonização. Com a chegada dos europeus, os tupis são forçados à novo êxodo para o oeste. Os tupis são povos aquáticos, excelentes pescadores, nadadores e canoeiros. Em sua expansão, ao largo do litoral brasileiro, os portugueses foram sempre antecedidos pelas extensas migrações do povo Tupi, o que facilitou sua colonização.


Os povos jês chegaram ao sertão do nordeste brasileiro, há quatro mil anos, vindos da costa do Pacífico. Espalharam-se pelo Planalto Central, desde a serra gaúcha e até as margens da Amazônia. Alguns povos jês cultuavam os mortos, o sol e a lua. Os bororos e xavantes cultuavam o milho, como alimento sagrado. Os tapajós ocuparam o baixo Amazonas, desde o ano 1300, sendo dizimados por volta do século XVII. Os marajoaras habitaram a ilha de Marajó, desde 3000 AC. Foi a sociedade mais desenvolvida do período pré-colombiano brasileiro. As incursões dos colonizadores europeus dizimaram essas populações indígenas. As doenças trazidas pelos invasores, a desagregação das tribos, levaram a uma redução drástica destes povos, sendo que centenas foram aniquiladas em sua totalidade.

Em 1511, com a ocupação das terras do litoral brasileiro, o cativeiro dos indígenas se intensificou. Santos torna-se Porto dos Escravos, capturados no litoral e no sertão. A imagem de que os índios são seres falsos, preguiçosos, estúpidos, covardes, sem lei, sem rei e sem um Deus e, principalmente canibais, era divulgada com veemência pelos seus algozes. A escravidão era vista como uma oportunidade para aqueles quase animais serem catequizados e civilizados. Em 1570, a escravidão indígena é vedada por lei, mas o manuseio da mesma lei permitiu que o cativeiro continuasse em ampla escala até o século XIX. Ainda em 1806, na Amazônia, um índio valia tanto quanto um machado. Os Jesuítas combatiam com toda energia a escravidão indígena, e por isto foram hostilizados e até mortos, pelos interessados na continuação do vício da escravidão.

Começam as guerras indígenas contra a escravidão. Os tupis aliaram-se aos portugueses, na guerra contra os franceses, que sugavam do Brasil, todo o pau-brasil. De 1555 até 1567, desencadeia-se a guerra dos tamoios, do Rio de Janeiro a São Paulo, de Cabo Frio a Itanhaém, passando por Ubatuba, Angra dos reis, Uruçumirim, hoje Morro da Glória. Os guayanás, carijós, parte dos tupiniquins, aliaram-se aos portugueses para enfrentarem a revolta dos tamoios. Houve um acordo de paz em 1563, mas um ano depois reiniciaram as guerras, por que continuou a escravidão vermelha (dos índios).

Posteriormente, as guerras indígenas contra o branco escravizador continuaram, conforme segue:
- Guerra da Fundação do Rio de Janeiro, envolvendo os índios da Bahia e Espírito Santo.
- Guerra dos Potiguares, envolvendo índios do Rio Grande do Norte.
- Guerra dos Aimorés, envolvendo índios da Bahia, Espírito santo e Minas Gerais.
- Guerra dos Bárbaros do Açu, envolvendo índios do Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.
- Guerra dos Tupinambás, envolvendo índios do Pará.
- Guerra dos Manaus, envolvendo índios do Amazonas.
- Revolta de Manu Ladino, envolvendo os índios do Piauí, Maranhão e Ceará.
- Guerrilha Mura, envolvendo índios do baixo Amazonas.
- Resistência Guaicuru, envolvendo índios do Mato-Grosso.
- Guerra Guaranítica, envolvendo os índios do Rio Grande do Sul.


Entre os índios brasileiros semi-civilizados, temos os Carajás, que se fixaram nas imediações de Aruanã, rio Araguaia, na região do Bananal, no estado de Goiás. Entre os índios escravizados pelos brancos, estão os remanescentes dos tupis-guaranis, que vivem ainda no litoral de estado de São Paulo. Na serra de Itariri, vivem os derradeiros exemplares das tribos tupis-guaranis. Nos estados de Goiás e Mato-Grosso, viviam enormes populações de aborígenes, os boes-ou-oraris, mais conhecidos por bororos. Esses aborígenes já estão praticamente extintos. No estado de Mato-Grosso, ainda habitam os índios: umutinas, rio dos Bugres e Cuiabá; meinacos, rio Curisevo, afluente do Xingu; caimás, Dourados, sul de Mato-Grosso; xavantes, rio das Mortes; carajás, rio Araguaia; chicuro, rio Culuene e Curiservo.

Finalizando esta primeira parte, podemos dizer que a Europa desenvolveu os valores mentais, relacionados à vida prática, à arte e à beleza. Refinou no homem tudo que pudesse elevar seu nível, distanciando-o, o mais possível, das condições rudimentares de uma civilização primária. O Oriente intensificou as forças subjetivas da mente, despertando nos indivíduos a consciência da elevação mental, que pudessem conquistar como seres viventes. O continente americano, com sua força renovadora, recolheu esses valores de ambas as procedências e cobriu-os como uma casca protetora, preservando e sustentando o grão para o terceiro milênio. A nova mente humana, como que contida nesse grão, traz em potencial, os germens de uma nova vida, poderosa e bela!

Entretanto, para que ocorra esta Nova Era, é necessário que ocorram profundas mudanças no homem e no seu habitat.

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